O que acontece quando uma marca decide parar de otimizar para atenção instantânea… e voltar a investir em memória?
Quem não recebeu o filme de Brahma pelo WhatsApp estava sem sinal.
O filme de Brahma para a Copa parece quase um ato de resistência criativa em meio a uma obsessão da indústria por performance de curto prazo.
Nas últimas décadas, o mercado publicitário foi treinado para acreditar que eficiência é o mesmo que eficácia. E tem IPA, Peter Field, Les Binet, Ehrenberg-Bass, Ritson nos trazendo evidências e dados que mostram exatamente o contrário: quanto mais curto-prazista a comunicação, menor sua capacidade de construir estruturas de memória no longo prazo.
O interessante no caso de Brahma é que o filme faz uma escolha quase contraintuitiva para os padrões atuais:
– ele desacelera
– dedica tempo para construir atmosfera
– os personagens
– tensões e… o mais importante
– o ritual coletivo
Praticamente a cartilha da escola publicitária de Showmanship! Craft do roteiro até a último milesegundo da correção de cor e trilha na pós. Porque convenhamos ninguém está ai pra sua marca. Pra marca nenhuma:
Então, a publicidade realmente eficaz normalmente opera através de atenção compartilhada, fluidez narrativa, de uma apelo emocional amplo. Capturamos a atenção, sim, mas como sustentá-la? Na realidade, a pergunta é: como merecer essa atenção? Ainda mais num “curta metragem”?
Primeiro, Brahma percebeu que o brasileiro continua emocionalmente investido na Copa sim, mas na forma de desapego como mecanismo de autoproteção (fala 7×1!!!) e a marca foi sagaz transformando o acreditar num ato contracultural: “Tá liberado acreditar.”
Olha a construção semiótica disso. Não é: “Vamos ganhar.” É na realidade: “Você tem permissão para voltar a sentir.”
Porque não é que grandes marcas mudam a opinião das pessoas, o que elas acabam mudando é o estado emocional. A nostalgia aqui não é não serve para lembrar “que tempo bom que não volta nunca mais” mas está aqui para reduzir o risco do agora.
Segundo, o o apelo amplo. O apelo amplo é a capacidade de engajar pessoas diferentes por motivos diferentes. Parte do princípio de que a publicidade deve ser interessante o suficiente para que qualquer pessoa queira assistir e respeitando a inteligência da audiencia.
Serve para aqueles que pegaram ou inclusive se lembraram das jogadas da seleção de 70, outros que pegaram a ref do Baggio, Galvão core… a cobrança de falta do Ronaldinho Gaúcho lembrando o debate: ele cruzou ou foi pura genialidade? E talvez até a referência publicitária ao comercial “Aeroporto” do Nike. Ou sou eu achando ref publicitária onde nem tem? O ponto é que cada um desses momentos viraramm uma segurança afetiva.
Aqui não estamos vendo arquivos da seleção, estamos vendo nossas memórias compartilhadas e elas funcionam como a infraestrutura de confiança.
Terceiro, a Copa é o palco mais emocionalmente fértil para qualquer marca e ainda mais para a dobradinha perfeita para essa época: cerveja e futebol. Mas aqui o papo é mais sobre sincronização cultural. Os rituais coletivos ainda são um dos poucos momentos em que mídia de massa funciona como… mídia de massa. E aqui Brahma já larga na frente no brief porque não trata a Copa como “evento” e sim como memória afetiva compartilhada, que muitos brasileiros curtiram compartilhar.
A métrica de Spike Rating da System1 é a convergência da intensidade emocional com velocidade de reconhecimento da marca e projeta forte capacidade de gerar compartilhamento, busca e comportamento no curto prazo. Mas esse é apenas o efeito visível, já que o efeito mais valioso acontece abaixo da superfície.
O filme percorre múltiplos espectros da felicidade dos mais intensos aos mais contemplativos criando uma experiência emocionalmente rica e distintiva.
Grand finale!
Brahma fez o que as as marcas mais eficazes fazem. O filme percorre múltiplos espectros da felicidade dos mais intensos aos mais contemplativos criando uma experiência emocionalmente rica e distintiva. E todos, altamente eficazes.
Em uma época em que muitos anúncios parecem criados para sobreviver aos primeiros três segundos, Brahma cria um filme para recompensar os próximos três minutos.
Nós não lembramos o que as marcas fazem ou falam, nós lembramos como elas nos fizeram sentir. Marca é performance. Porque enquanto o mercado inteiro compete por cliques, poucas marcas ainda estão investindo em algo muito mais difícil: ser lembrada.
O paradoxo é que a construção de marca está começando a parecer um luxo. Enquanto o mercado inteiro compete por cliques, impressões e conversões, poucas marcas continuam investindo naquilo que sempre gerou vantagem competitiva duradoura: memória.
Talvez por isso o filme de Brahma se destaque entre os 15% anúncios mais eficazes do Brasil, mesmo disputando atenção em uma das categorias mais saturadas e em um dos territórios mais explorados da publicidade nacional, neste e nos próximos meses
O filme lembra de que criatividade não é o oposto de performance. Criatividade é performance e marca é performace.
E a pergunta é: quantas marcas ainda terão coragem de investir em publicidade que funciona no próximo trimestre, mas também daqui a 10 anos?
“Em um ambiente cada vez mais disputado por atenção, campanhas realmente efetivas são aquelas que conseguem ser sentidas e reconhecidas ao mesmo tempo. O novo filme de Brahma performa de forma excepcional justamente nessa combinação entre emoção e força de marca."
Gustavo Castro
Diretor de Estratégia & Insights, Ambev
“Brahma tem a beleza de ser, ao mesmo tempo, uma marca gigante que atua em territórios culturais massivos e uma marca muito íntima dos brasileiros, acompanhando seu comportamento. Entender o real sentimento do brasileiro em relação à seleção nos permitiu encontrar um insight verdadeiro e comum à todos: estamos desacreditados, mas mesmo quando os números apontam um cenário desafiador, o torcedor só precisa de um motivo pra voltar a acreditar. Brahma mostra que o improvável sempre esteve presente e por isso tá liberado acreditar.”
Joice Carvalho
Diretora de Brahma, Ambev
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